O Mosaico Estratégico dos 5 A’s: O modelo da Quinta dos Penedinhos para um repovoamentos de sucesso

Repovoar uma zona de caça com coelho bravo não é soltar os animais e esperar que a natureza faça o seu trabalho. É um processo com variáveis concretas, cada uma delas capaz de comprometer o resultado final se for ignorada. A Quinta dos Penedinhos formalizou essa experiência num modelo próprio, testado em mais de uma década de repovoamentos: o Mosaico Estratégico dos 5 A’s.

Resumo rápido do artigo:

  • O Mosaico Estratégico dos 5 A’s é o modelo da Quinta dos Penedinhos para orientar repovoamentos de coelho bravo
  • Os cinco fatores críticos são: Água, Alimentos, Abrigos, Ausência de Perturbação e Animais
  • O modelo é estratégico, pensado a médio e longo prazo (3 a 5 anos), não como solução de curto prazo
  • O conceito de mosaico refere-se à disposição física do terreno: sementeiras em forma de ladrilhos, com mato nas juntas para abrigo
  • Água e alimento não devem estar a mais de 10 a 15 metros dos abrigos
  • O controlo de predadores é parte integrante do fator Ausência de Perturbação
  • O modelo está em permanente atualização com base na experiência de cada repovoamento

O que é o Mosaico Estratégico dos 5 A’s

Carlos Magro, responsável pela Quinta dos Penedinhos, descreve o modelo que a empresa desenvolveu ao longo dos anos:

“A Quinta dos Penedinhos desenvolveu um modelo próprio de repovoamento que apelidou de ‘Mosaico Estratégico dos 5 A’s’ para auxiliar a empresa em todas as ações de repovoamento, sejam elas com coelhos bravos ou com perdizes.”

— Carlos Magro, Quinta dos Penedinhos

O nome não é arbitrário. A palavra mosaico descreve a disposição física ideal do terreno a repovoar: sementeiras diversas em forma de ladrilhos, com mato nas juntas desses ladrilhos para servir de abrigo e corredor de fuga para os animais. A palavra estratégico define o horizonte temporal do modelo: não se trata de uma ação pontual, mas de um plano com objetivos definidos ao longo de 3 a 5 anos.

Nas palavras de Carlos Magro: a designação do modelo deve obrigar a pensar em termos estratégicos, a médio e longo prazo, e não como um plano tático de curto prazo.

Os cinco fatores do repovoamento do coelho bravo em detalhe

Água: quantidade, qualidade e proximidade

A água é o primeiro fator crítico. A Quinta dos Penedinhos é explícita quanto às exigências: disponível em quantidade e qualidade, acessível em vários pontos da propriedade.

Há um pormenor de distância que a experiência da Quinta tornou regra: os coelhos bravos, por norma, não se afastam muito dos seus abrigos. Por isso, a água não deve estar a mais de 10 a 15 metros das lousas. Um bebedouro mal posicionado, mesmo cheio, pode ser um bebedouro que os coelhos nunca usam.

Alimentos: fibra, variedade e proximidade

O aparelho digestivo do coelho bravo está preparado para fibras vegetais. A alimentação natural, com ervas, rebentos e plantas, é a base. Em contexto de repovoamento, a rede de comedouros deve ser posicionada estrategicamente, sempre próxima dos abrigos, dentro do raio de 10 a 15 metros já referido.

Carlos Magro alerta para a qualidade do que se coloca nos comedouros: devem ser evitados alimentos crus. A ração apropriada para a espécie e, sobretudo, feno seco são as opções recomendadas, em particular nos primeiros dias após a solta.

Abrigos: diversidade e proteção

Os abrigos são o elemento central do mosaico. O coelho bravo vive em lousas, construções subterrâneas ou semienterradas que lhe dão proteção contra predadores e temperaturas extremas. Em terreno preparado para repovoamento, os abrigos artificiais devem ser construídos em pontos estratégicos, com resistência a investidas de predadores tanto terrestres como aéreos.

A diversidade de abrigos é importante. O modelo prevê abrigos de natureza diversa, não apenas um tipo único. Quanto mais próximos estiverem da rede de alimentação e água, maior a probabilidade de utilização pelos animais.

Ausência de Perturbação: sossego com controlo de predadores

Este é o fator mais subestimado pelos gestores de zonas de caça sem experiência com coelho bravo. O sossego não é apenas ausência de ruído humano. Carlos Magro detalha o conceito:

“O sossego dos coelhos exigirá, necessariamente, um controlo prévio dos predadores, sejam eles terrestres ou aéreos. Devemos igualmente evitar as zonas de passagem de pessoas e viaturas e equipamentos agrícolas.”

— Carlos Magro, Quinta dos Penedinhos

O controlo de predadores deve ser feito antes da solta, em coordenação com o ICNF e no estrito cumprimento da lei. Não é uma medida reativa, é uma condição prévia. Um terreno com pressão elevada de predadores, mesmo com água, alimento e abrigos em ordem, tem resultados de repovoamento muito abaixo do esperado.

Animais: condição física, vacinação e idade

O último fator diz respeito aos próprios coelhos. A solta deve abranger exclusivamente animais em perfeitas condições físicas e sanitárias, com as vacinas contra a DHV e a mixomatose em dia. Animais com três meses ou mais, sexagem confirmada e reforço vacinal aplicado.

Como Carlos Magro sintetiza: a solta deve abranger exclusivamente coelhos bravos em perfeitas condições físicas e sanitárias, assim como com as vacinas contra a DHV e a Mixomatose em dia.

Um modelo vivo, não uma receita fechada

O Mosaico Estratégico dos 5 A’s não nasceu completo. Construiu-se por tentativa, erro e correção. Carlos Magro recorda dois casos concretos:

“Durante a construção de um ponto de solta, colocámos o bidão da água em cima de um sobreiro e ligámos ao bebedouro através dum tubo de borracha que enterrámos no chão. No dia seguinte, os javalis tinham desenterrado e rompido o tubo. Alterámos a passagem do tubo por cima do ponto de solta.”

— Carlos Magro, Quinta dos Penedinhos

Noutro caso, a cobertura de um ponto de solta foi feita apenas com rede sombreadora. No dia seguinte, o peso dos predadores fez romper a rede e os coelhos tinham desaparecido. A solução foi reforçar a cobertura com o mesmo tipo de rede das laterais, apoiada por tábuas em cruz sobre postes verticais.

Estes exemplos ilustram a natureza do modelo: cada erro identificado no terreno é incorporado como melhoria para os repovoamentos seguintes.

Como aplicar o modelo na sua zona de caça

A aplicação do Mosaico Estratégico dos 5 A’s começa antes de qualquer solta. O primeiro passo é a análise do terreno: verificar a existência de pontos de água, avaliar a cobertura vegetal, identificar as zonas de maior pressão de predadores e definir os locais para construção dos pontos de solta.

Só depois de o terreno estar preparado é que a solta faz sentido. Um coelho largado num terreno sem as condições básicas, não fixa. Desloca-se em busca dessas condições e, nessa deslocação, fica exposto a todos os riscos que o repovoamento devia minimizar.

A Quinta dos Penedinhos presta consultoria para esta fase de preparação, em trabalho direto com as associações de caçadores e gestores de zonas de caça, para definir a estratégia mais adequada a cada terreno específico.

Se quer aplicar o Mosaico Estratégico dos 5 A’s na sua zona de caça e ter sucesso no repovoamento do coelho bravo, entre em contacto com a Quinta dos Penedinhos.

Perguntas Frequentes sobre o repovoamento do coelho bravo

O que é o Mosaico Estratégico dos 5 A’s?

É o modelo de repovoamento desenvolvido pela Quinta dos Penedinhos com base em mais de dez anos de experiência. Identifica cinco fatores críticos de sucesso: Água, Alimentos, Abrigos, Ausência de Perturbação e Animais.

Por que se chama mosaico?

O termo descreve a disposição ideal do terreno: sementeiras diversas em forma de ladrilhos, com mato nas juntas para servir de abrigo e corredor de fuga para os coelhos.

A que distância devem estar a água e a comida dos abrigos?

A Quinta dos Penedinhos recomenda um máximo de 10 a 15 metros. Os coelhos bravos não se afastam muito dos abrigos, pelo que pontos de água e comedouros fora desse raio tendem a não ser utilizados.

O controlo de predadores faz parte do modelo?

Sim, é parte integrante do fator Ausência de Perturbação. Deve ser feito antes da solta, em coordenação com o ICNF e dentro da lei.

O modelo é aplicável a qualquer zona de caça?

Sim, com as adaptações necessárias a cada terreno. A Quinta dos Penedinhos presta consultoria para essa adaptação, com análise do terreno e definição dos pontos de solta.

Fontes e Revisão Editorial

Este artigo foi elaborado com base em entrevista direta a Carlos Magro, responsável pela Quinta dos Penedinhos. O Mosaico Estratégico dos 5 A’s é um modelo próprio da empresa, desenvolvido com base na experiência acumulada em repovoamentos de coelho bravo e perdiz vermelha desde 2010.

Entre em contacto com a Quinta dos Penedinhos para consultoria de repovoamento adaptada à sua zona de caça.

Ciclo reprodutivo do coelho bravo: O que todo o gestor de zona de caça precisa saber

Gerir uma zona de caça com coelho bravo sem conhecer o seu ciclo reprodutivo é como semear sem conhecer as estações. O calendário do coelho dita quando repovoar, quando não perturbar e quando esperar resultados. Ignorá-lo é a razão mais frequente de repovoamentos que não fixam.

Resumo rápido do artigo

  • O ciclo reprodutivo do coelho bravo vai de outubro/novembro até maio/junho do ano seguinte
  • O pico de reprodução acontece em março e abril
  • O ciclo está diretamente ligado às condições climáticas, que determinam a disponibilidade de alimento
  • Anos de seca prolongada atrasam o início do ciclo e antecipam o seu fim, com redução da população
  • A janela ideal para repovoamento é o final do verão e o início do outono
  • Nessa altura, o calor intenso já passou e os animais têm tempo para se adaptar antes de entrar no ciclo reprodutivo
  • A densidade máxima recomendada para reprodutores em cativeiro é de 40 animais por hectare, com rácio de um macho para três fêmeas

O calendário do coelho bravo e o que ele significa na prática

Carlos Magro, responsável pela Quinta dos Penedinhos, descreve o ciclo com precisão:

“O calendário reprodutivo do coelho bravo vai de outubro/novembro de um ano até maio/junho do ano seguinte, atingindo o pico em março/abril.”

— Carlos Magro, Quinta dos Penedinhos

Isto significa que, durante o verão, os coelhos não se reproduzem. O período de julho a setembro é de pausa reprodutiva. É também o período de maior calor e de menor disponibilidade de alimento, dois fatores que tornam este trimestre o mais exigente para os animais no campo.

Para o gestor de uma zona de caça, este calendário tem implicações diretas. Um repovoamento feito em agosto com animais que chegam a um verão seco tem resultados muito piores do que o mesmo repovoamento feito em setembro ou outubro, quando as condições meteorológicas começam a melhorar e o ciclo reprodutivo está prestes a arrancar.

A ligação entre o clima e a reprodução do coelho bravo

O ciclo reprodutivo do coelho bravo não é rígido. Responde às condições do ambiente, em particular à disponibilidade de alimento, que por sua vez depende das chuvas.

Carlos Magro alerta para este ponto com base na experiência da Quinta dos Penedinhos:

“Devemos chamar a atenção para o facto do referido ciclo reprodutivo estar intimamente associado às condições climatéricas, pois estas são determinantes para o provimento de alimento.”

— Carlos Magro, Quinta dos Penedinhos

Na prática, anos de seca prolongada atrasam o arranque do ciclo. As primeiras chuvas de outono são o sinal que desencadeia o comportamento reprodutivo. Se essas chuvas chegam tarde, o ciclo começa tarde. Se o verão se prolonga, o fim do ciclo também é antecipado, com menos ninhadas e menor crescimento da população.

Este é um dos efeitos das alterações climáticas que a Quinta dos Penedinhos tem registado com maior preocupação. A instabilidade do calendário reprodutivo do coelho bravo reflete-se diretamente na disponibilidade de animais para repovoamento e na capacidade de recuperação das populações selvagens.

Quando repovoar: a janela de oportunidade

Com base no ciclo reprodutivo e na experiência acumulada em mais de uma década de repovoamentos, a Quinta dos Penedinhos identifica o final do verão e o início do outono como a janela ideal para soltar coelhos bravos em campo.

A lógica é clara, como explica Carlos Magro:

“O repovoamento com coelho bravo deverá ser feito idealmente entre o final do verão e o início do outono; o período de maior calor já terá passado, os coelhos disporão de melhores condições meteorológicas para uma mais rápida adaptação ao novo habitat, e no final do outono estarão em perfeitas condições físicas e mentais para iniciar o respetivo ciclo reprodutivo.”

— Carlos Magro, Quinta dos Penedinhos

Há três razões concretas por trás desta recomendação. Primeiro, o stress térmico é menor: os animais recém-soltos não chegam ao campo no pico do calor. Segundo, a vegetação começa a recuperar com as primeiras chuvas, o que melhora a disponibilidade de alimento natural. Terceiro, os animais têm duas a três semanas para explorar o território e identificar abrigos antes de entrar na época de reprodução.

Um coelho solto no início de outubro, em boas condições, pode estar a reproduzir-se já em dezembro ou janeiro. Um coelho solto em julho, em plena seca, tem muito menor probabilidade de sobreviver até aí.

O ciclo reprodutivo do coelho bravo e a gestão das colónias em cativeiro

Para quem cria coelhos bravos, o ciclo reprodutivo também condiciona o planeamento da produção. A Quinta dos Penedinhos opera em regime semi-extensivo, com colónias em parques murados ao ar livre. O pico de reprodução em março e abril é também o pico de trabalho na quinta: maior número de ninhadas, maior necessidade de acompanhamento, vacinação e sexagem dos láparos.

Carlos Magro recomenda uma densidade máxima de 40 reprodutores por hectare, com um rácio de um macho para três fêmeas. Este equilíbrio reduz a carga viral associada às doenças que mais afetam o coelho bravo, a Mixomatose e a Doença Hemorrágica Viral, e facilita o maneio dos animais ao longo do ciclo.

A distribuição em colónias mais pequenas, separadas por corredores vazios, é outra das práticas adotadas pela quinta para evitar o contacto físico entre grupos e conter a disseminação de doenças durante a época reprodutiva.

O que o gestor deve registar e monitorizar

Conhecer o ciclo reprodutivo do coelho bravo é o ponto de partida. Para gerir uma zona de caça com eficácia, é preciso cruzar esse conhecimento com as condições locais.

Dois indicadores simples a acompanhar no campo: os rapados, que são as escavações feitas pelos coelhos, e as nitreiras, concentrações de dejetos que indicam a presença e dimensão das colónias. Como refere Carlos Magro, estes são os melhores sinais de fixação e os primeiros indícios de reprodução após uma solta.

Uma zona com rapados e nitreiras em crescimento no inverno é uma zona onde o repovoamento está a funcionar. Uma zona silenciosa em fevereiro, quando o ciclo reprodutivo devia estar a arrancar, é sinal de que algo correu mal: excesso de predadores, falta de abrigo, qualidade da água ou animais soltos fora da janela correta.

Se quer planear o repovoamento da sua zona de caça com base no ciclo reprodutivo do coelho bravo, entre em contacto com a Quinta dos Penedinhos.

Perguntas Frequentes sobre o ciclo reprodutivo do coelho bravo

Quando começa o ciclo reprodutivo do coelho bravo em Portugal?

Em outubro ou novembro, com o arranque dependente das primeiras chuvas de outono. O pico acontece em março e abril. O ciclo termina entre maio e junho.

Qual a melhor altura para repovoar com coelho bravo?

O final do verão e o início do outono, entre setembro e outubro. O calor intenso já passou, as condições meteorológicas melhoram e os animais chegam ao campo antes de entrar no ciclo reprodutivo.

As alterações climáticas afetam o ciclo reprodutivo do coelho bravo?

Sim. Secas prolongadas atrasam o início do ciclo, porque este está ligado à disponibilidade de alimento, que depende das chuvas. Anos secos resultam em menos ninhadas e menor crescimento da população.

Qual o rácio recomendado entre machos e fêmeas num parque de reprodução?

A Quinta dos Penedinhos recomenda um macho para três fêmeas, com uma densidade máxima de 20 reprodutores por hectare.

Como saber se uma solta de coelhos está a funcionar no campo?

Os principais indicadores são os rapados, escavações feitas pelos coelhos, e as nitreiras, concentrações de dejetos. O aumento destas evidências no inverno indica fixação e reprodução em curso.

Fontes e Revisão Editorial

Este artigo foi elaborado com base em entrevista direta a Carlos Magro, responsável pela Quinta dos Penedinhos. 

Os dados sobre o ciclo reprodutivo, densidades e janela de repovoamento resultam da experiência acumulada desde 2010 em criação e repovoamento de coelho bravo em Portugal.

Entre em contacto com a Quinta dos Penedinhos para apoio no planeamento do repovoamento da sua zona de caça.

O que é um láparo e quando está pronto para solta em campo

Quem lida com repovoamento de coelho bravo depara-se cedo com o termo láparo. Saber o que significa e, sobretudo, perceber quando um láparo está de facto pronto para ser solto, é a diferença entre uma ação de repovoamento que resulta e dinheiro deitado fora.

Resumo rápido do artigo

O láparo é o coelho bravo antes de atingir a idade adulta. Os machos chegam à maturidade sexual aos cinco meses, as fêmeas aos quatro. Qualquer animal abaixo dessa idade é tecnicamente um láparo.

Para o repovoamento, a Quinta dos Penedinhos recomenda a solta a partir dos três meses de idade, nunca antes dos dois. A razão é prática: só aos três meses é possível aplicar o reforço da vacina contra a mixomatose, e nenhum animal deve sair para o campo sem essa proteção.

Os critérios para considerar um láparo apto à solta são três:

  • Boa condição física e sanitária, avaliada antes de qualquer transporte
  • Sexagem confirmada
  • Reforço da vacina contra a Mixomatose

Estes três passos são executados pela Quinta dos Penedinhos em todas as ações de repovoamento, sem exceção.

O que distingue um láparo de um coelho adulto

A fronteira entre o láparo e o coelho adulto é a maturidade sexual. Carlos Magro, responsável pela Quinta dos Penedinhos, define com precisão:

“O láparo é todo o coelho antes de atingir a idade adulta. Os machos atingem a idade adulta aos cinco meses. As fêmeas aos quatro meses de idade.”

— Carlos Magro, Quinta dos Penedinhos

Na prática, um animal com dois meses e meio, por exemplo, ainda é um láparo. Fisicamente pode parecer desenvolvido, mas o sistema imunitário ainda não atingiu a maturidade necessária para enfrentar as pressões do campo: predadores, doenças, variações climáticas e a adaptação a um habitat novo.

A distinção não é apenas académica. Soltar láparos demasiado jovens é um dos erros mais comuns em ações de repovoamento mal planeadas, com impacto direto na taxa de sobrevivência pós-solta.

Porque os três meses são o ponto de referência

A idade mínima recomendada para solta não é arbitrária. Está ligada ao protocolo de vacinação. Como explica Carlos Magro:

“Qualquer coelho bravo a soltar deverá possuir uma boa condição física e sanitária e ter apanhado o reforço da vacina contra a Mixomatose. Como o reforço desta vacina deverá ocorrer em animais com três meses de idade, é bom de ver que esta é a idade apropriada para a solta dos coelhos no campo.”

— Carlos Magro, Quinta dos Penedinhos

A Mixomatose é uma das principais causas de mortalidade no coelho bravo. Um animal solto sem o reforço da vacina fica exposto logo nas primeiras semanas, precisamente quando a adaptação ao novo habitat já por si exige o máximo do organismo.

A avaliação da condição física antes da solta é igualmente obrigatória. Um láparo com sinais de debilidade, mesmo vacinado, tem probabilidades de sobrevivência muito inferiores. A Quinta dos Penedinhos avalia sistematicamente cada animal antes de qualquer ação de repovoamento.

O que acontece na primeira semana após a solta

É normal que os animais percam algum peso nos primeiros dias no campo. A mudança de alimentação, do ambiente controlado da exploração para o habitat natural, provoca um ajustamento que se traduz numa ligeira perda de condição corporal.

Carlos Magro é direto sobre este ponto:

“O que pode acontecer, e é absolutamente aceitável e desprovido de importância, é uma ligeira perda de peso dos animais na primeira semana posterior à solta no campo.”

— Carlos Magro, Quinta dos Penedinhos

Esta informação é relevante para quem monitoriza os animais após a solta. Uma ligeira perda de peso não é sinal de falha. É parte do processo de adaptação. O que deve preocupar é a mortalidade prematura por predação, doença ou ausência das condições básicas do habitat.

Sexagem antes da solta: porque é obrigatória

A sexagem dos animais antes da solta responde a uma necessidade de gestão da colónia a instalar no terreno. Conhecer o rácio de machos e fêmeas libertados permite às associações de caçadores e gestores de zonas de caça acompanhar a evolução da população de forma mais rigorosa.

Na Quinta dos Penedinhos, a sexagem faz parte dos três procedimentos executados antes de cada solta, a par da avaliação da condição física e do reforço vacinal. 

Láparo pronto para solta: os critérios em resumo

Para uma ação de repovoamento de coelho bravo ter resultados, um láparo deve reunir estas condições em simultâneo:

  • Três meses de idade ou mais
  • Boa condição física e sanitária, sem sinais de debilidade
  • Sexagem confirmada
  • Reforço da vacina contra a Mixomatose
  • Vacinação contra a DHV (variante clássica e nova variante)

Qualquer um destes critérios em falta compromete a ação de repovoamento. A Quinta dos Penedinhos executa todos estes procedimentos antes de cada entrega, independentemente do volume de animais envolvido.

Se prepara uma ação de repovoamento de coelho bravo, entre em contacto com a Quinta dos Penedinhos.

Perguntas Frequentes sobre láparos

O que é exatamente um láparo?

É um coelho bravo que ainda não atingiu a maturidade sexual. As fêmeas tornam-se adultas aos quatro meses, e os machos aos cinco.

Com que idade se pode soltar um láparo em campo?

A Quinta dos Penedinhos recomenda os três meses como idade mínima. É a partir desta idade que se aplica o reforço da vacina contra a mixomatose, condição obrigatória para qualquer solta.

Um láparo perder peso após a solta é sinal de problema?

Não. Uma ligeira perda de peso na primeira semana é normal e faz parte da adaptação ao novo habitat e à alimentação natural. Não indica falha no processo.

O que se verifica num láparo antes da solta?

Condição física e sanitária, sexagem e reforço da vacina contra a mixomatose. Os três passos são executados sistematicamente pela Quinta dos Penedinhos antes de cada entrega.

Qual a diferença entre soltar láparos e coelhos adultos?

Os coelhos adultos já têm maturidade sexual e podem contribuir para a reprodução na época seguinte. Os láparos soltos com a idade adequada atingem essa maturidade no campo, desde que sobrevivam às primeiras semanas de adaptação.

Fontes e Revisão Editorial

Este artigo foi elaborado com base em entrevista direta a Carlos Magro, responsável pela Quinta dos Penedinhos. 

As recomendações sobre idade de solta, protocolo de vacinação e critérios de aptidão dos animais são baseadas na experiência e evidência empírica acumuladas pela empresa desde 2010.

Entre em contacto com a Quinta dos Penedinhos para apoio técnico no planeamento do seu repovoamento de coelho bravo.

Quem é a Quinta dos Penedinhos e qual o seu papel na criação de coelho bravo em Portugal

A Quinta dos Penedinhos, Lda. nasceu em 2010 com um objetivo concreto: criar coelho bravo (Oryctolagus Cuniculus Algirus) em Portugal, numa altura em que a espécie vivia um dos seus momentos mais difíceis. 

A nova variante da doença hemorrágica viral (DHV) devastava populações inteiras, a primeira vacina eficaz ainda não estava disponível, e o projeto de reintrodução do lince ibérico em Portugal começava a ganhar forma. Era preciso alguém na primeira linha.

Desde então, a Quinta dos Penedinhos, localizada em Sintra, tornou-se um dos criadores de referência nacionais, com licenças do ICNF, participação em projetos científicos e um modelo próprio de repovoamento testado durante mais de uma década no campo.

Uma criação nascida da urgência

Carlos Magro, responsável pela Quinta dos Penedinhos, recorda o contexto em que o projeto arrancou:

“Já nessa altura, o coelho bravo era uma espécie em estado crítico. A nova variante da DHV era mais agressiva do que a variante clássica e a primeira vacina tardava em chegar. Por outro lado, avizinhava-se a solta dos primeiros linces ibéricos, tanto em Espanha como em Portugal, no âmbito do projeto Life+Iberlince. E queríamos estar na primeira linha dos fornecedores certificados de coelho bravo para efeitos de repovoamento das zonas portuguesas abrangidas pelo referido projeto de recuperação do lince ibérico.”

Não foi uma aposta ligeira. A empresa arrancou com uma licença do ICNF (alvará n.º 2045) e, face ao crescimento rápido da atividade, inaugurou em 2011 um segundo polo de criação, com um segundo alvará (n.º 2157). A expansão foi consequência direta da procura e da qualidade dos animais produzidos.

Credibilidade construída no campo e nos laboratórios

Criar coelho bravo em cativeiro com genética pura não é tarefa simples. A Quinta dos Penedinhos submete regularmente amostras de tecido dos seus animais a um laboratório acreditado pelo ICNF para confirmar a pureza genética da espécie Oryctolagus Cuniculus Algirus. Não é um procedimento obrigatório, mas uma escolha da empresa.

Carlos Magro sublinha outro momento decisivo para a credibilidade da Quinta dos Penedinhos:

Em parceria com o ICNF, a empresa conseguiu obter a homologação de criador de coelho bravo no âmbito do projeto de recuperação do lince ibérico.”

A ligação ao meio científico ficou ainda marcada por duas colaborações relevantes. Em 2017 e 2018, a empresa apoiou um aluno da Faculdade de Medicina Veterinária de Lisboa no desenvolvimento da sua tese sobre a DHV no coelho bravo, trabalho que resultou em publicações científicas e apresentações em congressos. 

No mesmo período, colaborou com o Instituto Nacional de Investigação Agrária e Veterinária (INIAV) no projeto +Coelho, dedicado ao estudo da sazonalidade da DHV e dos vetores de disseminação do vírus.

O que diferencia a criação de coelhos bravos da Quinta dos Penedinhos

A exploração opera em regime semi-extensivo. Os coelhos vivem em parques murados ao ar livre, num ambiente que replica, tanto quanto possível, as condições do habitat natural da espécie. A opção não é aleatória: quanto mais próximo do habitat natural for o ambiente de criação, mais capaz é o animal de se adaptar ao campo após a solta.

Como explica Carlos Magro:

“Um maior número de colónias, em espaços mais reduzidos, obrigam à distribuição de complementos alimentares. Este modelo apresenta inúmeras vantagens, nomeadamente um maneio mais fácil dos animais, que garante uma política de vacinação mais eficaz, a par de uma redução generalizada da carga viral, e um melhor controlo do estado físico e sanitário dos coelhos.”

A vacinação contra a Mixomatose e contra a DHV (variante clássica e nova variante) faz parte do protocolo antes de qualquer solta. Nenhum animal sai da exploração sem que a respetiva condição física e sanitária seja confirmada.

Um modelo de repovoamento com nome próprio

Ao longo de mais de dez anos de atividade, a Quinta dos Penedinhos desenvolveu o que designa por “Mosaico Estratégico dos 5 A’s”: um modelo que identifica os cinco fatores críticos para o sucesso de qualquer ação de repovoamento: Água, Alimentos, Abrigos, Ausência de Perturbação e Animais em condições.

Este modelo não é uma receita estática. Nas palavras de Carlos Magro:

“É uma realidade viva, em permanente aperfeiçoamento, com base na experiência assente em tentativas e correção de erros.”

A empresa presta também consultoria estratégica e operacional a associações de caçadores, zonas de caça associativas, municipais e turísticas, com o objetivo de ajudar a preparar o terreno antes da solta, a escolher os pontos certos e a monitorizar os resultados ao longo do tempo.

Para quem trabalha a Quinta dos Penedinhos

O principal público da quinta são as associações e clubes de caçadores, as zonas de caça associativas ou municipais, e os gestores e proprietários de zonas de caça turísticas. Em comum, têm um objetivo: ter coelhos no campo e que esses coelhos sobrevivam, se fixem e se reproduzam.

Carlos Magro resume assim o compromisso da empresa:

“O nosso compromisso é fornecer os melhores exemplares e prestar consultoria para repovoamento de zonas de caça. Podem contar connosco para preservar e melhorar a atividade cinegética.”

Mais de uma década de criação, dois alvarás, homologação para o projeto do lince ibérico, colaborações científicas e um modelo de repovoamento testado no terreno. É este o percurso que está por trás de cada coelho que sai da Quinta dos Penedinhos.

Se gere uma zona de caça e quer saber como a Quinta dos Penedinhos pode ajudar no repovoamento de coelho bravo, entre em contacto.

Perguntas Frequentes sobre a criação de coelho bravo na Quinta dos Penedinhos

O que é a Quinta dos Penedinhos?

É uma empresa de criação de coelho bravo (Oryctolagus Cuniculus Algirus) e perdiz vermelha, fundada em 2010 e localizada em Sintra. Opera com licenças do ICNF e é fornecedora certificada para o projeto de recuperação do lince ibérico em Portugal.

A Quinta dos Penedinhos tem certificações oficiais?

Sim. A empresa detém dois alvarás do ICNF (n.º 2045 e n.º 2157) e obteve homologação como criadora de coelho bravo no âmbito do projeto Life+Iberlince de recuperação do lince ibérico.

A genética dos coelhos é verificada?

Sim. A Quinta dos Penedinhos submete regularmente amostras dos seus animais a laboratório acreditado pelo ICNF para confirmar a pureza da genética da espécie Oryctolagus Cuniculus Algirus.

A Quinta dos Penedinhos presta consultoria de repovoamento?

Sim. Para além do fornecimento de animais, a empresa oferece consultoria estratégica e operacional a associações de caçadores e gestores de zonas de caça, incluindo a preparação do terreno, definição dos pontos de solta e monitorização de resultados.

Fontes e Revisão Editorial

Este artigo foi elaborado com base em entrevista direta a Carlos Magro, responsável pela Quinta dos Penedinhos, e em informação pública disponível no website da empresa (quintadospenedinhos.com). 

Os dados relativos a alvarás, parcerias científicas e homologação para o projeto Life+Iberlince foram fornecidos pelo próprio entrevistado.

Inovação, sustentabilidade e desafios na criação de coelho bravo e perdiz vermelha: a visão da Quinta dos Penedinhos

A Quinta dos Penedinhos é uma referência na criação de espécies cinegéticas em Portugal, como a perdiz vermelha e o coelho bravo, distinguindo-se pela inovação, pela qualidade dos seus animais e pelo compromisso com a sustentabilidade. 

Especializada na criação de coelho bravo e perdiz vermelha, a quinta tem adaptado as suas práticas aos desafios do setor, investindo em novas infraestruturas, tecnologias e modelos de gestão para garantir um equilíbrio entre produtividade e conservação das características genéticas das espécies.

Em entrevista, Carlos Magro, responsável pela quinta, partilhou algumas das inovações implementadas, os desafios enfrentados e a visão da empresa para o futuro da caça menor em Portugal.

Carlos Magro, responsável pela Quinta dos Penedinhos

Inovação na criação de perdizes vermelhas e coelhos bravos

A inovação tem sido uma prioridade na Quinta dos Penedinhos, com o objetivo de garantir a qualidade e a robustez dos animais criados para repovoamento. Nos últimos anos, a empresa introduziu mudanças significativas na criação do coelho bravo, como a divisão dos parques de reprodução em espaços mais reduzidos.

“Optámos por dividir os parques em colónias mais pequenas, reduzindo a carga viral das principais doenças que afetam os coelhos. Isto também facilita a apanha e a vacinação dos animais, tanto juvenis como adultos, além de permitir um melhor controlo do estado reprodutivo das fêmeas”, explica Carlos Magro.

No caso da perdiz vermelha, a inovação passou pela construção de parques de voo de grandes dimensões, proporcionando melhores condições para o desenvolvimento da espécie.

“Construímos novos parques de voo com mais de 150 metros de comprimento e altura superior a dois metros, provavelmente os maiores do país. Estes espaços permitem-nos obter perdizes com uma capacidade de voo e uma robustez física acima da média”, acrescentou.

Além dessas infraestruturas, a Quinta dos Penedinhos desenvolveu um Sistema de Qualidade, que tem permitido otimizar os procedimentos de criação e garantir ganhos de produtividade anuais, sem comprometer a adaptação dos animais ao meio natural.

“A cada ano, conseguimos melhorar os nossos processos, criando animais mais robustos, mais bravos e melhor preparados para serem libertados”, destaca Carlos Magro.

Os desafios do setor: custos, clima e sustentabilidade

A criação de espécies cinegéticas enfrenta desafios constantes, desde os custos de produção às alterações climáticas.

Nos últimos anos, os aumentos nos preços da energia, dos combustíveis e dos materiais essenciais ao setor tiveram um impacto significativo.

“Desde 2019, temos assistido a um aumento expressivo dos custos de produção. Paralelamente, a inflação também contribuiu para o aumento dos salários. Para manter a qualidade das nossas perdizes vermelhas e coelhos bravos, tivemos de ajustar os preços de venda, garantindo sempre a melhor relação qualidade-preço”, explica Carlos Magro.

As alterações climáticas têm sido outro desafio determinante, afetando diretamente o ciclo reprodutivo das espécies.

“No caso do coelho bravo, o ciclo reprodutivo inicia-se normalmente com as primeiras chuvas de outubro, mas com as secas cada vez mais frequentes, esse início tem-se atrasado. Além disso, o fim do ciclo também ocorre mais cedo, reduzindo a população”, alerta.

Para mitigar este problema, a empresa investiu num sistema de rega dos parques de reprodução, garantindo melhores condições para os coelhos mesmo em anos de seca.

No que toca à perdiz vermelha, a seca também tem impacto direto na quantidade de ovos postos.

“Anos muito secos significam menor produção, enquanto anos chuvosos resultam em mais ovos e maior taxa de sucesso. Para minimizar os impactos do calor e da seca, investimos num sistema de sombreamento e nebulização dos efetivos reprodutores”, explica.

A preocupação ambiental estende-se ainda à frota da empresa, que passou por um processo de renovação.

“No âmbito da nossa Política de Responsabilidade Social e Ambiental, substituímos a frota de viaturas a combustível por veículos 100% elétricos na área da distribuição. Esta mudança representa um desafio logístico, devido à ainda limitada infraestrutura de carregamento em Portugal, mas é um passo necessário para reduzir a nossa pegada ecológica”, afirma Carlos Magro.

Tendências da caça de perdizes vermelhas e de coelhos bravos em Portugal: uma mudança no setor

Nos últimos anos, a caça menor tem passado por mudanças significativas, principalmente devido à redução das populações de coelho bravo e à transformação da paisagem agrícola.

“No caso do coelho bravo, a Doença Hemorrágica Viral tem sido devastadora, colocando a espécie em risco de extinção. A recuperação exigirá um esforço conjunto, semelhante ao que foi feito com o Lince Ibérico”, afirma Carlos Magro.

Para combater esta tendência, a Quinta dos Penedinhos tem apostado na solta recorrente de coelhos bravos vacinados, ajudando a repor a população.

Saiba mais sobre a criação de coelhos bravos.

A perdiz vermelha, por sua vez, enfrenta desafios diferentes. A substituição das tradicionais searas de trigo e feno por olivais, vinhas e amendoais tem reduzido drasticamente o habitat da perdiz vermelha.

“A nova paisagem agrícola do Alentejo não favorece a perdiz vermelha. Felizmente, ainda existem áreas onde as searas se mantêm, sustentando a população da espécie. Além disso, clubes e associações de caçadores têm desempenhado um papel crucial na conservação”, destaca.

A Quinta dos Penedinhos tem procurado responder a este problema através de ações de repovoamento, fornecendo perdizes de elevada qualidade para assegurar a continuidade da espécie no meio natural.

Saiba mais sobre a criação de perdizes vermelhas.

Parcerias e colaboração com associações de caçadores

A colaboração com associações de caçadores e gestores de zonas de caça tem sido fundamental para a implementação de medidas eficazes de repovoamento.

“A interação com estas entidades tem sido essencial para garantir o sucesso das ações de repovoamento. Quando conseguimos alinhar estas ações com o nosso modelo ‘Os 5 A’s’, os resultados são muito positivos”, explica Carlos Magro.

Embora não tenha aprofundado o conceito, fica claro que este modelo tem sido uma ferramenta importante para a recuperação das populações de coelhos e perdizes.

Conheça a opinião das associações de caça e de caçadores sobre a Quinta dos Penedinhos.

A sensibilização e o debate sobre a caça sustentável

A caça tem sido alvo de crescente debate público, muitas vezes polarizado por ideologias anti-caça. Para a Quinta dos Penedinhos, é essencial esclarecer a população sobre o papel crucial da caça sustentável.

“Há uma ideologia anti-caça, sobretudo promovida por partidos de extrema-esquerda, que procuram impor as suas ideias e abolir um hábito milenar. No entanto, a maioria das pessoas está interessada em compreender os argumentos a favor da caça sustentável, e é para essa maioria que trabalhamos na sensibilização”, afirma Carlos Magro.

Além disso, a empresa destaca o importante trabalho das associações e clubes de caçadores na preservação das espécies cinegéticas, através de iniciativas como:

  • Desmatação dos terrenos para melhorar os habitats;
  • Controlo dos predadores que ameaçam espécies vulneráveis;
  • Construção de abrigos, bebedouros e comedouros;
  • Alimentação periódica das espécies cinegéticas;
  • Repovoamento sustentável, garantindo a continuidade das espécies.

“Os caçadores, ao contrário do que alguns querem fazer crer, são os principais interessados na conservação das espécies. Tudo o que fazemos na Quinta dos Penedinhos tem em vista uma caça sustentável a médio e longo prazo”, reforça Carlos Magro.

O futuro da Quinta dos Penedinhos

A Quinta dos Penedinhos concluiu, em 2023, um projeto de duplicação da capacidade produtiva de perdiz vermelha.

“Neste momento, a nossa prioridade é recuperar o esforço financeiro realizado com esse investimento. Não temos planos para introduzir novas espécies num futuro próximo”, explica Carlos Magro.

Apesar disso, a empresa mantém um compromisso contínuo com a qualidade e a inovação, apostando na melhoria contínua das suas práticas.

Reflexão e mensagem para o setor

Para Carlos Magro, um dos maiores orgulhos da Quinta dos Penedinhos é a evolução da empresa ao longo dos anos.

“Quando iniciámos este projeto, encontrámos infraestruturas abandonadas e terrenos por recuperar. Com esforço e dedicação, conseguimos transformar este espaço num dos principais centros de criação cinegética em Portugal”, recorda.

A empresa conseguiu duplicar a sua capacidade produtiva e aumentar significativamente a sua presença no mercado, tornando-se uma referência na caça menor em Portugal.

Para quem deseja entrar no setor, Carlos Magro aconselha:

  • Adquirir conhecimentos técnicos e práticos sobre a criação de espécies cinegéticas;
  • Implementar um Sistema de Gestão da Qualidade para otimizar a produção;
  • Desenvolver um Plano de Negócios sólido e avaliar a rentabilidade do projeto.

Por fim, deixa uma mensagem à comunidade cinegética:

“A Quinta dos Penedinhos está focada na criação das duas espécies de caça-menor mais procuradas na Península Ibérica: o coelho bravo e a perdiz vermelha. O nosso compromisso é fornecer os melhores exemplares e prestar consultoria para repovoamento de zonas de caça. Podem contar connosco para preservar e melhorar a atividade cinegética”.

Caça: um setor em transformação, mas com futuro

A Quinta dos Penedinhos continua a destacar-se pela qualidade e inovação na criação de coelhos bravos e de perdizes vermelhas, adaptando-se aos desafios do setor com soluções sustentáveis e eficientes.

Desde a implementação de novas infraestruturas até ao investimento em práticas sustentáveis, a empresa demonstra um compromisso contínuo com a qualidade dos seus animais e com a preservação da caça menor.

Apesar dos desafios – seja a subida dos custos, as alterações climáticas ou a redução dos habitats naturais –, a Quinta dos Penedinhos mantém uma visão otimista, investindo em soluções inovadoras e colaborando ativamente com associações e entidades do setor.

Só se pode caçar se houver caça, conclui Carlos Magro, reforçando a importância da preservação das espécies para garantir um futuro sustentável para a atividade cinegética em Portugal.

Representa uma associação de caçadores? Entre em contacto connosco!

Para saber mais sobre a criação de perdizes vermelhas e de coelhos bravos, fale com a Quinta dos Penedinhos.

Quinta dos Penedinhos faz o balanço da caça e da produção da perdiz vermelha e coelho bravo

Depois de ter concluído o projeto de duplicação da sua capacidade produtiva inicial, a Quinta dos Penedinhos, localizada em Sintra, fechou o ano de 2023, com a produção de cerca de 30 mil perdizes vermelhas e 360 coelhos bravos. Um resultado que, de acordo com o diretor Carlos Magro, reflete o compromisso da quinta com a qualidade.

Um belo exemplar de perdiz vermelha

Produção de perdizes vermelhas e de coelhos bravos: Excelência sempre foi a meta

A empresa, que se dedica à criação das duas espécies cinegéticas de caça-menor mais procuradas em Portugal: o coelho bravo (Oryctolagus Cuniculus Algirus) e a perdiz vermelha (Alectoris Rufa), sempre procurou diferenciar-se pela qualidade.

“A criação de caça de qualidade superior sempre foi o nosso objetivo, desde o início da atividade da quinta”, recorda Carlos Magro. No entanto, para atingir a excelência da produção, o diretor afirma que foi necessário romper com os procedimentos tradicionais de criação de perdizes.

“Estabelecemos critérios mais exigentes na seleção dos efetivos reprodutores e respetivos ovos, incluindo um maneio diferenciado dos perdigotos em sala”, afirma o diretor, acrescentando que “foram construídos parques de voo maiores, tanto em altura, como em comprimento”. Tudo isto apoiado “num sistema de gestão da qualidade, devidamente documentado, e focado na criação das melhores perdizes”, conclui Carlos Magro.

A excelência das perdizes vermelhas já é conhecida entre o principal público-alvo da Quinta dos Penedinhos que são as associações e clubes de caçadores, zonas de caça associativas ou municipais, gestores e/ou proprietários de zonas de caça turísticas. Prova disso são os testemunhos dos caçadores que atestam a sua satisfação com as perdizes vermelhas. A plumagem, a cor, a bravura e, sobretudo, a superior capacidade de voo são algumas das características apontadas e que contribuem para uma melhor experiência de caça.

A Quinta dos Penedinhos conta, ainda, com inúmeras ações de largada e de repovoamento de perdizes vermelhas, que têm reunido muitas opiniões positivas, como a de Eduardo Soares, presidente do Clube de Caça e de Pesca de Boavista dos Pinheiros, em Odemira. “A solta realizada em outubro foi espetacular em todos os sentidos. Boas perdizes, bons tiros, enfim, um bom dia de caça!”, recorda o caçador.

Coelhos bravos em perfeita sintonia com a Natureza

Saber mais sobre os coelhos bravos da Quinta dos Penedinhos

A Caça em Portugal e o impacto nas perdizes vermelhas

De acordo com Carlos Magro, 2023 ficou marcado por uma diminuição significativa da produção global da perdiz vermelha que pode ser explicada por “graves problemas de ordem sanitária e pelo encerramento definitivo de diversos criadores, nomeadamente nas zonas Centro e Oeste do país”.

No entanto, de acordo com o diretor da Quinta dos Penedinhos, trata-se de um problema de fundo que, nos últimos anos, tem prejudicado a caça em Portugal, caracterizado por diversos factores, apontando a destruição crescente e sistemática do habitat da perdiz vermelha e do coelho bravo, como uma das principais razões.

Saber mais sobre as perdizes vermelhas da Quinta dos Penedinhos

“O Alentejo, outrora considerado o celeiro de Portugal, caracterizava-se pelas infindáveis searas de trigo (de sequeiro). Hoje em dia, o que vemos? Olivais (super)intensivos, vinhas e amendoais”, recorda Carlos Magro, sublinhando que “a perdiz vermelha gosta de nidificar nas searas de trigo onde encontra a sombra, a comida e a proteção contra os predadores terrestres e aéreos”.

Para além da destruição dos habitats naturais da perdiz vermelha e do coelho bravo, o diretor aponta ainda as práticas de agricultura intensiva e recorre à sabedoria popular para explicar a segunda razão da queda da população das perdizes vermelhas.

“Lá diz o povo: Pelo S. João, eles (perdigotos) aí vão!. Quer isto dizer que, de uma maneira geral, a eclosão dá-se em maio/ junho de cada ano”, afirma. E acrescenta que “hoje em dia, é habitual vermos grandes ceifeiras debulhadoras em ação por essa altura, destruindo e matando tudo o que estiver no seu caminho”, o que contrasta com os hábitos de outros tempos. “Quem não se lembra de, noutros tempos, em que o trigo era apanhado à mão por ranchos enormes de homens e mulheres, quando encontravam algum ninho com ovos, desviavam-se?”, recorda o diretor da Quinta dos Penedinhos.

As perdizes apresentam uma robustez física impressionante

Saber mais sobre os perdigotos da Quinta dos Penedinhos

Para Carlos Magro, outra das razões é o “abandono crescente dos minifúndios e da emigração para o litoral, deixando o interior abandonado, à mercê do crescimento descontrolado do mato e, bem assim, dos predadores de diferentes espécies”.

A este respeito, o diretor da Quinta dos Penedinhos elogia “o esforço que tem sido desenvolvido pelas associações de caçadores e pelos gestores e/ou proprietários de zonas de caça turísticas, um pouco por todo o país” para reverter esta situação, dando como exemplo “a desmatação dos solos e o cultivo de searas destinadas à recuperação e fixação das espécies cinegéticas”, como a perdiz vermelha e o coelho bravo.

Para concluir as principais razões que explicam a queda na população de perdizes vermelhas, Carlos Magro toca, ainda, na ferida aberta pelas ideologias anti-caça que “tentam afastar os jovens desta atividade e fazer prevalecer a vontade de uma minoria sobre a da maioria”.

Falar com a Quinta dos Penedinhos

O futuro da caça e das perdizes vermelhas em Portugal

Apesar das dificuldades apontadas que “têm influenciado inexorável e negativamente a atividade da caça no nosso país”, Carlos Magro acredita num futuro risonho para esta atividade, fruto dos “esforços desenvolvidos pelas associações de caçadores e pelos gestores e/ou proprietários de zonas de caça turísticas acima indicados, bem como pelos criadores de caça em cativeiro, de que a Quinta dos Penedinhos se orgulha de pertencer”, afirma.

O diretor da Quinta dos Penedinhos aproveita para realçar a importância económica da caça para Portugal. “A caça tem um papel redistributivo da riqueza das regiões do litoral para as do interior”, afirma, dando como exemplo “as deslocações de caçadores em número crescente do litoral para o interior, o que contribui, desde sempre, para o desenvolvimento económico-social do interior, nomeadamente, os setores da hotelaria e da restauração”.

Além disso, Carlos Magro relembra ainda “o impacto positivo da caça na nossa balança de trocas com o exterior”, através da”vinda crescente a Portugal de caçadores de origem estrangeira (da UE e não só), promovendo, também, os setores da hotelaria, mormente de turismo rural, e da restauração e dos vinhos, entre tantos outros”.

Os coelhos bravos são velozes e enérgicos

Para que esta atividade seja tratada como merece, o diretor da Quinta dos Penedinhos defende que “a caça seja considerada como um pilar adicional no projeto de ordenamento do território nacional”. Para isso, Carlos Magro dá como soluções:

  • Promover a desmatação controlada dos terrenos, realizada pelos proprietários dos terrenos integrantes das zonas de caça e/ou pelas associações de caçadores, entre outros; diminuindo, assim, significativamente, o volume de combustível acumulado nos terrenos e, bem assim, diminuindo o risco de grandes incêndios.
  • Voltar a atrair para a atividade um número crescente de caçadores, promovendo o desenvolvimento, no centro e interior do país, dos setores da hotelaria, do turismo rural, da restauração, dos vinhos, do artesanato, entre outros.
  • Captar para a atividade um número crescente de caçadores estrangeiros (da UE e não só), promovendo a melhoria da nossa balança de trocas com o exterior, bem como acelerar o desenvolvimento dos setores acima indicados, contribuindo para o ressurgimento de novas oportunidades de emprego e de negócio, rejuvenescimento e fixação da população nas regiões centro e interior do país, invertendo desta forma a tendência de desertificação observada nas referidas regiões.
  • Incentivar a substituição do mato por culturas propiciadoras de alimentação para as espécies cinegéticas, procurando recriar os respetivos habitats naturais.
  • Criar condições para o desenvolvimento sustentável das espécies cinegéticas em harmonia com o meio ambiente, isto é, o seu habitat natural.
  • Construir um sistema que se auto-alimenta, isto é, melhor ambiente, menos fogos, melhores habitats naturais, mais caça, mais caçadores, maior desenvolvimento económico e social das regiões menos favorecidas (até hoje!), novas e melhores oportunidades de emprego e de negócio, rejuvenescimento da população, zero desertificação(!), entre outros.

O futuro da Quinta dos Penedinhos e da criação de perdizes e coelhos bravos

Para 2024, e face às atuais condições económicas, a Quinta dos Penedinhos não pondera quaisquer investimentos que levem a um aumento significativo da sua capacidade produtiva das perdizes vermelhas. No entanto, a produção anual dos coelhos bravos poderá crescer em função do aumento dos efetivos reprodutores.

“Continuaremos a esforçar-nos para exceder as expetativas dos caçadores mais exigentes, quer em matéria de repovoamentos, quer em matéria de largadas”, afirma Carlos Magro, assegurando que “o mercado poderá continuar a contar com a grande experiência e competência dos colaboradores da Quinta dos Penedinhos”.

Para saber mais sobre a criação de perdizes vermelhas e de coelhos bravos, fale com a Quinta dos Penedinhos. Poderá também conhecer a quinta, através da marcação prévia de uma visita.

Falar com o diretor da Quinta dos Penedinhos, Carlos Magro

Repovoamento de Inverno com Perdiz Vermelha

Chegou a Hora do Repovoamento de Inverno! E agora?

Todos os anos, depois do encerramento da Geral, chovem telefonemas de associações, quase sempre no primeiro ano de mandato, que pretendem comprar perdizes para realizar o repovoamento de inverno.

O mesmo volta a acontecer em fins de fevereiro ou início de março, coincidindo com o fim da caça às aves migratórias: tordos, pombos, narcejas, galinholas, etc.

Ora, meus amigos, lamento dizer-vos que vêm tarde demais! E a seguir explico porquê.

O repovoamento de inverno é realizado, por norma, com casais de perdizes com uma idade média nunca inferior a 40 semanas, i.e., as perdizes a colocar no terreno para os efeitos acima indicados deverão ter nascido, o mais tardar, em março ou abril do ano anterior!

Assim sendo, se eu pretender realizar uma ação de repovoamento com perdiz vermelha no inverno de 2024, devo, para tal, guardar as perdizes para o fim desejado que nascerem em março ou abril de 2023.

Uma perdiz vermelha da nossa criação

A Quinta dos Penedinhos é especialista em repovoamentos de zonas de caça, contando com estratégias e técnicas inovadoras, que resultam na criação de espécies cinegéticas com qualidades excecionais.

Planeie o Repovoamento de Inverno com um Ano de Antecedência

Ora, daqui resulta, para já, um conselho para todas as direções das zonas de caça que desejem realizar quaisquer ações de repovoamento com perdiz vermelha no inverno de 2024: 

Contactem um criador de confiança (!) e peçam-lhe para vos guardar as perdizes necessárias para o desejado repovoamento. 

A reserva das perdizes deverá ser feita, o mais tardar, até fins de maio deste ano (2023); ao negociar o preço de aquisição das perdizes para entrega a partir de fins de dezembro de 2023, tenham em consideração que o respetivo custo deverá prever a guarda (alimentação, tratamento, mortes, etc.) das perdizes por um período mais longo, i.e., cerca de 4 meses, em relação à idade recomendada de venda para as ações normais de repovoamento de outono destinadas à caça.

Porquê escolher um criador de confiança para o Repovoamento de Inverno?

Pela simples razão de que o criador deverá garantir a entrega de perdizes com uma idade nunca inferior a 40 semanas, a partir de fins de dezembro de 2023; isto é, deverá respeitar o compromisso assumido de entregar perdizes que terão nascido em março ou abril de 2023.

Aqui chegados, pergunto: Os meus amigos são capazes de distinguir uma perdiz com 24 semanas de idade de outra com 40 semanas? Temo que não.

Porque é que devem contactar um criador, o mais tardar, até fins de maio deste ano (2023)?

Pela simples razão de que, regra geral, as primeiras perdizes a serem vendidas para as ações de repovoamento de verão, a partir de fins de maio (2023) ou início de junho (2023) são aquelas que nasceram primeiro, ou seja, em março ou abril do mesmo ano (2023). Estamos a falar, obviamente, de perdigotos com uma idade em redor das 10 – 12 semanas.

Chegados aqui, espero que os meus amigos tenham compreendido porque é que não podemos pensar no repovoamento de inverno só em janeiro ou fevereiro do próprio ano. E muito menos em março!

Volto a sublinhar a importância de planear o repovoamento de inverno de um ano (2024) com pelo menos 8 meses de antecedência (abril 2023).

E não esqueçam… O repovoamento tem inúmeras especificidades, pelo que o mais recomendado é solicitar uma consultoria a um produtor ou criador qualificado.

A Quinta dos Penedinhos presta apoio na preparação de projetos de repovoamento, através dos respetivos serviços de consultoria. Consulte-nos!

Um Repovoamento Eficaz é uma Questão Estratégica

O processo de repovoamento não se pode limitar à criação de espécies em cativeiro e à sua libertação nas zonas de caça, sem que exista uma estratégia que garanta a adaptação das espécies ao novo habitat e a sua sobrevivência.

Para isso, nada melhor que contar com a ajuda de especialistas em repovoamento de zonas de caça.

Para saber mais sobre a importância e a natureza desta e doutras ações de repovoamento, consulte diversos artigos subordinados ao tema Repovoamento em Quinta dos Penedinhos.

Saber mais sobre Repovoamento

Bem-Estar e Segurança Alimentar – Perdizes e Coelhos

  1. Naquele tempo ainda não havia caça (perdizes) de cativeiro.


Naquele tempo ainda não havia caça (perdizes) de cativeiro. Estávamos no final da década de 60 do século passado.

Perdiz vermelha, da nossa criação


Eu, os meus pais e a minha avó tínhamos deixado a casa principal da família em Salvaterra do Extremo e dirigíamo-nos para uma casa de campo na freguesia de Toulões. A primeira parte do caminho (15 km) já era alcatroado; correspondia à E.N. que ligava Salvaterra do Extremo a Castelo Branco. A partir de certa altura tínhamos de deixar a E.N. e entrar num caminho de terra batida (textualmente!), impróprio para viaturas ligeiras de passageiros, até chegar à dita casa de campo.


Neste caminho, o pó que o carro levantava era tanto que, ou fechávamos as janelas e sofríamos com o calor (naquele tempo ainda não havia AC nos carros!), ou abríamos as janelas e sofríamos com o pó apesar de costumarmos colocar um lenço a tapar o nariz e a boca tipo assaltantes dos filmes de cowboy. Eram ca. de 15 km de “suplício” que durava aprox. 45 minutos, até chegarmos ao paraíso (casa).


Estávamos no Verão. O meu pai conduzia, a minha avó ia no lugar do “morto”, eu e a minha mãe atrás. Estávamos a menos de 5 km de casa; à nossa esquerda havia uma charca grande e o campo, de um lado e outro do caminho, enchia-se de velhos e frondosos sobreiros e searas de trigo. Eis senão oiço o meu pai e a minha avó em uníssono «Olha uma perdiz! E uma ninhada de perdigotos atrás!».


A minha mãe e eu debruçámo-nos de imediato sobre o banco da frente para admirarmos aquele quadro. A perdiz e os seus perdigotos tinham cruzado o caminho da esquerda para a direita à frente do nosso carro e num ápice deixámos de os ver “embrulhados” no meio da seara de trigo.


Decorridos mais de 50 anos desde este episódio, lembro-me como se fosso hoje, a alegria estampada nos rostos e na voz do meu pai e da minha avó ao avistar aquela perdiz com a sua ninhada.


Do lado paterno, descendo de uma família oriunda da zona da raia, de Salvaterra do Extremo, Concelho de Idanha-A-Nova, Distrito de Castelo Branco. O meu tetra-avô terá sido original de Cáceres e veio a estabelecer-se em S. do Extremo onde casou com uma senhora portuguesa.


Seguramente por isso, ainda me lembro de ter ido com o meu pai visitar uns primos na aldeia do lado de lá do rio Erges (afluente do Tejo) chamada Zarza-LA-Mayor. Zarza fica a ca. de 5 km a pé de Salvaterra. No verão, atravessava-se, já nessa altura, por levar pouca água, o rio Erges (que faz fronteira entre Portugal e Espanha) a salto.


Foi o que fizemos, eu e o meu pai, num daqueles dias de verão, para ir visitar os primos espanhóis. Demorámos 1 hora para lá chegar e outro tanto para regressar a Salvaterra. Ficámos por lá algum tempo a refrescarmo-nos com uma coca-cola genuína (naquele tempo, não havia coca-cola à venda em Portugal!) e um belo presunto pata negra acompanhado dos famosos “picos”.


E assisti a uma manifestação de verdadeira amizade e carinho entre os primos espanhóis e o meu pai e saudades de tempos idos por ocasião das festas da Zarza que atraíam gente de todo o lado.


A partir de determinada altura, a minha avó, nascida em Castelo Branco, e tendo vivido a sua mocidade em Salvaterra do Extremo, veio para Lisboa “a reboque” do marido, oficial de Cavalaria, e já na companhia de dois filhos adolescentes: o meu pai e o meu tio.


Naquele tempo ainda não havia caça (perdizes) de cativeiro.
Em Lisboa, para uma família de não-caçadores, comer uma perdiz de escabeche era um luxo muito apetecível, tanto mais para uma família oriunda da província, sempre acostumada a esta iguaria.


Lembro-me das perdizes penduradas no alpendre da entrada das melhores charcutarias de Lisboa. Lembro-me de fazer questão de acompanhar a minha mãe na compra das perdizes. E havia sempre quem não torcesse o nariz a depená-las e eviscerá-las. A receita das perdizes de escabeche da minha avó tem seguramente raízes espanholas… É deliciosa! Hei-de divulgá-la noutra ocasião.


Lembro-me de estar à mesa à espera das perdizes e ouvir a minha avó avisar: cuidado com os chumbos!


Quando olho para trás, acho tudo isto espantoso, lindo, genuino. O bem-estar e a segurança alimentar doutros tempos… Que saudades!

2. E hoje em dia, o que acontece?


Atualmente, onde a caça de cativeiro (perdizes e outros) é uma realidade incontornável, o bem-estar dos animais criados em cativeiro, bem como a segurança alimentar são temas que merecem o devido destaque e respeito.


Em conversa há uns tempos atrás (estávamos em plena pandemia do COVID-19) com um cliente da zona do Vimieiro, contou-me ele que havia organizado uma montaria aos javalis (no âmbito da política de controle de densidade desta espécie) e que a maioria dos caçadores participantes não tinha levado consigo as peças que lhes estavam por direito reservadas; ou por não saber, ou não querer esfolá-las e eviscerá-las, ou por desconfiança da qualidade da carne.


Esta situação colocou-lhe desde logo o problema de se livrar das carcaças dos animais em tempo útil por forma a evitar o desperdício daquela quantidade significativa de carne de boa qualidade. Imagino que situações deste tipo devem acontecer frequentemente noutras partes do país.


O mesmo acontece com frequência na caça às perdizes; muitos caçadores oferecem as peças abatidas pelas mesmas razões supra referidas.


Contudo, também conheço o caso de uma zona de caça próxima de Borba devidamente organizada onde os javalis abatidos em noites de espera são imediatamente esfolados, eviscerados, sangrados e devidamente esquartejados, embalados e colocados em frio para posterior transporte pelos caçadores.
Estou em crer que não será caso único e que também situações deste tipo deverão proliferar no país. Recordo-me, ainda, de participar num petisco de coelho bravo frito em azeite com alho e coentros caçado nessa madrugada: Que delícia! Neste caso, impera, sem dúvida, a confiança na qualidade da carne dos animais caçados. Um exemplo a ser seguido!

Javalis caçados na própria noite


A Quinta dos Penedinhos, ciente da importância destes temas, procurou, desde sempre, desenvolver e implementar métodos de criação adaptados às duas espécies de caça-menor – coelho bravo e perdiz vermelha – focados, entre outros, no bem-estar e na qualidade e sabor da carne dos animais.


Com efeito, procedemos ao controlo diário da qualidade das rações e dos cereais que adquirimos. Já por si adquiridos a empresas (algumas multinacionais) de primeira categoria. Procedemos ao tratamento e controlo sistemático da qualidade da água de bebida dos animais. Asseguramos uma higienização diária e apropriada das instalações, incluindo dos terrenos afetos à criação das perdizes.


No que diz respeito à criação dos animais, procuramos minimizar a administração de medicamentos, nomeadamente de antibióticos, salvaguardando sempre os prazos de segurança definidos nas respetivas fichas técnicas, assim como procuramos atingir níveis de densidade animal aceitáveis, assegurando o bem-estar dos mesmos.
Procedemos, ainda, à desparasitação periódica dos animais.

Todos estes procedimentos são devidamente registados e integram o sistema de qualidade da nossa firma. Todas estas ações são superiormente supervisionadas pelo veterinário assistente da exploração.

Novos parques de voo; mais parecem verdadeiras pistas de aviação


Em face do exposto, estamos em crer que os animais criados na Quinta dos Penedinhos satisfazem, de uma maneira geral, os melhores padrões de bem-estar animal e segurança alimentar na ótica dos consumidores/caçadores, refletidos, desde logo, na qualidade e sabor da carne do coelho bravo e da perdiz vermelha.


Para mim, que me lembro bem do sabor de uma perdiz do tempo em que não havia caça (perdizes) de cativeiro, quando provo uma perdiz adulta(!), nascida e criada na Quinta dos Penedinhos, não sinto grande diferença! Só mesmo a falta dos chumbos!


O mesmo digo dos coelhos.


Sintra, 17 de Agosto de 2022.

Quinta dos Penedinhos: perdiz vermelha e coelho bravo de excelência para os caçadores mais exigentes e muito mais

Localizada em plena Reserva Ecológica Natural do concelho de Sintra, a Quinta dos Penedinhos dedica-se à criação das espécies cinegéticas mais procuradas em Portugal: a perdiz vermelha (Alectoris Rufa) e o coelho bravo (Oryctolagus Cuniculus Algirus). 

Situada num local com condições naturais privilegiadas, a Quinta dos Penedinhos apostou na primazia da qualidade das suas infraestruturas e construiu um centro cinegético, um conjunto de instalações que visam, sobretudo, garantir a melhoria contínua da qualidade da sua produção.

Neste artigo apresentamos o que distingue a criação da Quinta dos Penedinhos e os serviços que pode usufruir para valorizar a sua zona de caça.

Centro Cinegético: onde as perdizes vermelhas e os coelhos bravos nascem e se desenvolvem 

A estrutura do centro cinegético da Quinta dos Penedinhos foi pensada para dar resposta a diferentes necessidades relacionadas com a criação do coelho bravo e da perdiz vermelha. O investimento traduziu-se no aumento gradual da produção, mas também numa maior qualidade dos animais aí criados, fruto de uma gestão exigente e rigorosa.

No caos da perdiz vermelha, entre as diferentes estruturas do centro cinegético, destacam-se:

Parques dos Reprodutores

Aqui, os reprodutores estão em jaulas apropriadas, com todas as condições, inclusivé ambientais, ideais para assegurar um bom acasalamento e postura. 

Salas de Incubação e Eclosão

Localizadas no interior do centro, é neste local que é feito o maneio dos ovos, desde a sua seleção e desinfeção até à eclosão dos perdigotos, com incubações semanais, durante a época de postura.

Salas de Criação

Neste espaço, os perdigotos usufruem das melhores condições para que possam desenvolver-se de uma forma saudável, tornando-se num excelente desafio de caça até para os caçadores mais experientes.

Parques de Voo

É aqui, nestes parques, alguns com cerca de 160 metros de comprimento, 6,5 metros de largura e 3 metros de altura, que as perdizes desenvolvem as suas capacidades de voo e mostram o que valem. É nestes corredores que a qualidade das perdizes da Quinta do Penedinhos começa a despontar e assume a forma de produto acabado com voos  longos e bem delineados, cuja excelência ganha contornos ainda mais evidentes nas zonas de caça, em especial nos respetivos  campos de treino (lagadas). 

Perdizes vermelhas e coelhos bravos: uma criação de qualidade superior

Inserida numa região vocacionada para a criação da caça brava, a Quinta dos Penedinhos focou a sua produção em duas espécies de caça-menor: o coelho bravo e a perdiz vermelha. Saiba como é realizada a criação destes animais:

A criação da Perdiz Vermelha

No caso da perdiz vermelha, a criação é feita, uma parte no exterior e outra parte no interior, no centro cinegético da Quinta dos Penedinhos. A recolha dos ovos dá-se durante a época de postura, que ocorre entre fevereiro e julho de cada ano. 

Cumprindo um conjunto de exigências que garantem a qualidade das criações, os ovos são selecionados, desinfetados, incubados e, após a eclosão, os pintos de perdiz vermelha são colocados em salas próprias para que possam desenvolver-se. Quando atingem a idade apropriada, são transferidos para os parques de voo, local onde vão treinar e aprimorar as suas capacidades de voo. 

A concluir a duplicação da capacidade de produção, a Quinta dos Penedinhos estima atingir as 25 mil perdizes por ano em 2023. Neste momento, a produção de perdizes situa-se na ordem das 20 mil perdizes por ano.

Características da perdiz vermelha da Quinta dos Penedinhos

Ao longo dos anos, a Quinta dos Penedinhos tem vindo a assegurar a bravura das suas perdizes vermelhas, através dos seus parques de voos, que são dos maiores do país, bem como através da minimização do contacto humano. 

A criação do Coelho Bravo

O ciclo de reprodução do coelho bravo acontece entre outubro e junho de cada ano, atingindo o seu pico no mês de abril. 

Na Quinta dos Penedinhos, a criação do coelho bravo faz-se em regime extensivo, no exterior, no centro cinegético, onde os reprodutores são mantidos em parques murados. Sempre que há novas ninhadas, os láparos são apanhados, vacinados e sexados e, depois com 2 a 3 meses de idade, estão disponíveis para venda.

Neste momento, a Quinta dos Penedinhos apresenta uma capacidade de produção de 500 coelhos bravos por ano.

Características do coelho bravo da Quinta dos Penedinhos

A Quinta dos Penedinhos replica nos seus parques as condições naturais em que os coelhos bravos vivem e se reproduzem, o que lhes garante, só por si, uma genética pura.

Gestão Técnica: a garantia de qualidade das perdizes vermelhas e dos coelhos bravos

A experiência e o conhecimento adquiridos permitiu à Quinta dos Penedinhos desenvolver um modelo de gestão técnica que tem vindo a garantir a qualidade superior da sua produção.

Ao longo dos anos, os caçadores que recorrem à Quinta dos Penedinhos têm testemunhado o apuramento da qualidade das perdizes vermelhas que resulta no refinamento de 3 principais características:

  • Bravura;
  • Capacidade Voo;
  • Robustez Física.

No âmbito da sua atividade, são prestados um conjunto de serviços que visam responder às necessidades dos caçadores. Além de fornecer perdizes vermelhas e coelhos bravos, a Quinta dos Penedinhos tem à sua disposição:

Serviço de Consultoria Estratégica e Operacional

Neste serviço, as zonas de caça podem usufruir de um aconselhamento e planeamento especializados para assegurar um eficaz repovoamento numa perspetiva de médio e longo prazo. 

Através de um modelo próprio, a Quinta dos Penedinhos, em conjunto com os gestores das zonas de caça, identifica dentro das reservas os melhores locais para a solta dos animais, incluindo a construção dos pontos de solta, e os períodos do ano em que deve ser feita a solta dos animais no âmbito das ações de repovoamento.

Construção dos pontos de solta

Os pontos de solta devem incluir sempre um comedouro e um bebedouro (opcional), sendo por isso a sua correta construção um dos fatores-chave para o sucesso do repovoamento de uma zona de caça. Além do comedouro e do bebedouro (opcional), os pontos de solta devem ser construídos com materiais específicos e em locais estratégicos, servindo de proteção contra os ataques súbitos dos predadores, tanto por via terrestre, como por via aérea.

Mas estes são apenas alguns dos requisitos que um bom ponto de solta deve cumprir. Existe uma forma correta de construir os referidos pontos de solta e a Quinta dos Penedinhos sabe como fazê-lo.

Se procura perdizes vermelhas e coelhos bravos de qualidade ou precisa de consultoria estratégica e operacional, fale connosco. Temos o conhecimento e a experiência necessários para alavancar o sucesso da sua zona de caça.

A Importância do Repovoamento de Perdiz Vermelha no Outono

O repovoamento de perdiz vermelha no Outono representa um reforço importante para colmatar as perdas sofridas durante o verão, nomeadamente por efeito da predação, e assegurar que grande parte das perdizes objeto do repovoamento realizado no início do Verão consigam sobreviver à época de caça, por forma a poderem iniciar um novo ciclo de acasalamento e nidificação, que acontece durante o Inverno e a Primavera.

A Perdiz Vermelha é uma espécie que necessita de atenção e cuidados especiais no seu repovoamento.

Assim, é essencial procurar um criador com experiência neste tipo de repovoamentos, que seja capaz de delinear uma estratégia eficaz por forma a minimizar o número de futuras perdas, e assim, maximizar o número de efetivos de perdiz vermelha a longo prazo.

O habitat tem um grande impacto na sobrevivência desta espécie, sendo que os predadores são a causa de cerca de 50% das mortes destas aves.

Repovoamento no Outono

Durante o Outono, é importante fazer um ou mais reforços do repovoamento de perdiz vermelha por diversas razões: A primeira, desde logo, porque durante o Verão os predadores estiveram mais ativos e as perdizes passaram por um momento vulnerável com o nascimento dos perdigotos; A segunda, propiciar as condições para que as perdizes colocadas no terreno, no Verão, consigam sobreviver à época de caça por forma a, como já dissemos, poderem iniciar um novo ciclo de reprodução. Perguntarão como? E porquê?

Nós atrevemo-nos a dizer que as perdizes colocadas no terreno, no Outono, vão desviar a atenção dos caçadores das mais velhas – objeto do repovoamento de Verão – dando-lhes assim maiores probabilidades de sobrevivência.

Por outro lado, partimos do princípio que as perdizes colocadas no terreno, no início do Verão, por serem mais velhas, atingirão o Inverno com uma maturidade sexual superior àquelas que foram largadas no Outono.

Esta estação também é caracterizada pela existência de bandos de perdizes, que podem atingir, no limite, 25 a 30 efetivos.

Resumindo, o repovoamento durante o Outono é essencial para equilibrar as perdas sofridas durante o verão e promover a sustentabilidade das perdizes no longo prazo.

Como preparar um Repovoamento Bem-Sucedido

Para realizar um repovoamento bem-sucedido a qualidade das aves que vão ser largadas é tão importante como a preparação prévia do terreno que irá ser o seu futuro habitat.

Um bom repovoamento de perdiz vermelha deve ser feito por um criador capaz de oferecer:

  • Uma correta avaliação do terreno;
  • Procedimentos de limpeza do terreno;
  • Ajuda na escolha dos melhores locais para servirem de pontos de solta considerando o abrigo, a alimentação e a água;
  • Condições de criação que permitam uma adaptação mais fácil das aves;
  • Perdizes preparadas para melhor sobreviver, entre outros, aos predadores;
  • Perdizes com a idade desejada para o objetivo pretendido;
  • Uma estratégia de repovoamento a longo prazo.

Estes são apenas alguns dos aspectos chave que um criador deve dominar para obter resultados positivos em qualquer ação de repovoamento.

Os repovoamentos realizados pela Quinta dos Penedinhos

Com mais de 10 anos de experiência, a Quinta dos Penedinhos tem sido capaz de dar uma resposta positiva aos diversos pedidos dos seus clientes.

Para garantir a qualidade e a satisfação nos repovoamentos, trabalha diretamente com os clientes, no desenvolvimento das melhores estratégias que promovam um repovoamento eficaz, sustentável e capaz de crescer ao longo dos anos.

Por serem criadas em cativeiro, existe uma preocupação especial em combater as debilidades que as perdizes possam apresentar, através de uma simulação e preparação, para que consigam superar os obstáculos que se lhes depararem no seu novo habitat e apresentar, ao mesmo tempo, um bom desafio para os caçadores mais exigentes.

Se procura perdizes de qualidade e um criador experiente, contacte a Quinta dos Penedinhos. 

Estamos ao seu dispor para atender qualquer pedido e oferecer a ajuda que procura. Os nossos clientes são o testemunho vivo do serviço de excelência que a Quinta oferece.