Repovoar uma zona de caça com coelho bravo não é soltar os animais e esperar que a natureza faça o seu trabalho. É um processo com variáveis concretas, cada uma delas capaz de comprometer o resultado final se for ignorada. A Quinta dos Penedinhos formalizou essa experiência num modelo próprio, testado em mais de uma década de repovoamentos: o Mosaico Estratégico dos 5 A’s.
Resumo rápido do artigo:
- O Mosaico Estratégico dos 5 A’s é o modelo da Quinta dos Penedinhos para orientar repovoamentos de coelho bravo
- Os cinco fatores críticos são: Água, Alimentos, Abrigos, Ausência de Perturbação e Animais
- O modelo é estratégico, pensado a médio e longo prazo (3 a 5 anos), não como solução de curto prazo
- O conceito de mosaico refere-se à disposição física do terreno: sementeiras em forma de ladrilhos, com mato nas juntas para abrigo
- Água e alimento não devem estar a mais de 10 a 15 metros dos abrigos
- O controlo de predadores é parte integrante do fator Ausência de Perturbação
- O modelo está em permanente atualização com base na experiência de cada repovoamento
O que é o Mosaico Estratégico dos 5 A’s
Carlos Magro, responsável pela Quinta dos Penedinhos, descreve o modelo que a empresa desenvolveu ao longo dos anos:
“A Quinta dos Penedinhos desenvolveu um modelo próprio de repovoamento que apelidou de ‘Mosaico Estratégico dos 5 A’s’ para auxiliar a empresa em todas as ações de repovoamento, sejam elas com coelhos bravos ou com perdizes.”
— Carlos Magro, Quinta dos Penedinhos
O nome não é arbitrário. A palavra mosaico descreve a disposição física ideal do terreno a repovoar: sementeiras diversas em forma de ladrilhos, com mato nas juntas desses ladrilhos para servir de abrigo e corredor de fuga para os animais. A palavra estratégico define o horizonte temporal do modelo: não se trata de uma ação pontual, mas de um plano com objetivos definidos ao longo de 3 a 5 anos.
Nas palavras de Carlos Magro: a designação do modelo deve obrigar a pensar em termos estratégicos, a médio e longo prazo, e não como um plano tático de curto prazo.

Os cinco fatores do repovoamento do coelho bravo em detalhe
Água: quantidade, qualidade e proximidade
A água é o primeiro fator crítico. A Quinta dos Penedinhos é explícita quanto às exigências: disponível em quantidade e qualidade, acessível em vários pontos da propriedade.
Há um pormenor de distância que a experiência da Quinta tornou regra: os coelhos bravos, por norma, não se afastam muito dos seus abrigos. Por isso, a água não deve estar a mais de 10 a 15 metros das lousas. Um bebedouro mal posicionado, mesmo cheio, pode ser um bebedouro que os coelhos nunca usam.
Alimentos: fibra, variedade e proximidade
O aparelho digestivo do coelho bravo está preparado para fibras vegetais. A alimentação natural, com ervas, rebentos e plantas, é a base. Em contexto de repovoamento, a rede de comedouros deve ser posicionada estrategicamente, sempre próxima dos abrigos, dentro do raio de 10 a 15 metros já referido.
Carlos Magro alerta para a qualidade do que se coloca nos comedouros: devem ser evitados alimentos crus. A ração apropriada para a espécie e, sobretudo, feno seco são as opções recomendadas, em particular nos primeiros dias após a solta.

Abrigos: diversidade e proteção
Os abrigos são o elemento central do mosaico. O coelho bravo vive em lousas, construções subterrâneas ou semienterradas que lhe dão proteção contra predadores e temperaturas extremas. Em terreno preparado para repovoamento, os abrigos artificiais devem ser construídos em pontos estratégicos, com resistência a investidas de predadores tanto terrestres como aéreos.
A diversidade de abrigos é importante. O modelo prevê abrigos de natureza diversa, não apenas um tipo único. Quanto mais próximos estiverem da rede de alimentação e água, maior a probabilidade de utilização pelos animais.
Ausência de Perturbação: sossego com controlo de predadores
Este é o fator mais subestimado pelos gestores de zonas de caça sem experiência com coelho bravo. O sossego não é apenas ausência de ruído humano. Carlos Magro detalha o conceito:
“O sossego dos coelhos exigirá, necessariamente, um controlo prévio dos predadores, sejam eles terrestres ou aéreos. Devemos igualmente evitar as zonas de passagem de pessoas e viaturas e equipamentos agrícolas.”
— Carlos Magro, Quinta dos Penedinhos
O controlo de predadores deve ser feito antes da solta, em coordenação com o ICNF e no estrito cumprimento da lei. Não é uma medida reativa, é uma condição prévia. Um terreno com pressão elevada de predadores, mesmo com água, alimento e abrigos em ordem, tem resultados de repovoamento muito abaixo do esperado.
Animais: condição física, vacinação e idade
O último fator diz respeito aos próprios coelhos. A solta deve abranger exclusivamente animais em perfeitas condições físicas e sanitárias, com as vacinas contra a DHV e a mixomatose em dia. Animais com três meses ou mais, sexagem confirmada e reforço vacinal aplicado.
Como Carlos Magro sintetiza: a solta deve abranger exclusivamente coelhos bravos em perfeitas condições físicas e sanitárias, assim como com as vacinas contra a DHV e a Mixomatose em dia.

Um modelo vivo, não uma receita fechada
O Mosaico Estratégico dos 5 A’s não nasceu completo. Construiu-se por tentativa, erro e correção. Carlos Magro recorda dois casos concretos:
“Durante a construção de um ponto de solta, colocámos o bidão da água em cima de um sobreiro e ligámos ao bebedouro através dum tubo de borracha que enterrámos no chão. No dia seguinte, os javalis tinham desenterrado e rompido o tubo. Alterámos a passagem do tubo por cima do ponto de solta.”
— Carlos Magro, Quinta dos Penedinhos
Noutro caso, a cobertura de um ponto de solta foi feita apenas com rede sombreadora. No dia seguinte, o peso dos predadores fez romper a rede e os coelhos tinham desaparecido. A solução foi reforçar a cobertura com o mesmo tipo de rede das laterais, apoiada por tábuas em cruz sobre postes verticais.
Estes exemplos ilustram a natureza do modelo: cada erro identificado no terreno é incorporado como melhoria para os repovoamentos seguintes.
Como aplicar o modelo na sua zona de caça
A aplicação do Mosaico Estratégico dos 5 A’s começa antes de qualquer solta. O primeiro passo é a análise do terreno: verificar a existência de pontos de água, avaliar a cobertura vegetal, identificar as zonas de maior pressão de predadores e definir os locais para construção dos pontos de solta.
Só depois de o terreno estar preparado é que a solta faz sentido. Um coelho largado num terreno sem as condições básicas, não fixa. Desloca-se em busca dessas condições e, nessa deslocação, fica exposto a todos os riscos que o repovoamento devia minimizar.
A Quinta dos Penedinhos presta consultoria para esta fase de preparação, em trabalho direto com as associações de caçadores e gestores de zonas de caça, para definir a estratégia mais adequada a cada terreno específico.
Se quer aplicar o Mosaico Estratégico dos 5 A’s na sua zona de caça e ter sucesso no repovoamento do coelho bravo, entre em contacto com a Quinta dos Penedinhos.

Perguntas Frequentes sobre o repovoamento do coelho bravo
O que é o Mosaico Estratégico dos 5 A’s?
É o modelo de repovoamento desenvolvido pela Quinta dos Penedinhos com base em mais de dez anos de experiência. Identifica cinco fatores críticos de sucesso: Água, Alimentos, Abrigos, Ausência de Perturbação e Animais.
Por que se chama mosaico?
O termo descreve a disposição ideal do terreno: sementeiras diversas em forma de ladrilhos, com mato nas juntas para servir de abrigo e corredor de fuga para os coelhos.
A que distância devem estar a água e a comida dos abrigos?
A Quinta dos Penedinhos recomenda um máximo de 10 a 15 metros. Os coelhos bravos não se afastam muito dos abrigos, pelo que pontos de água e comedouros fora desse raio tendem a não ser utilizados.
O controlo de predadores faz parte do modelo?
Sim, é parte integrante do fator Ausência de Perturbação. Deve ser feito antes da solta, em coordenação com o ICNF e dentro da lei.
O modelo é aplicável a qualquer zona de caça?
Sim, com as adaptações necessárias a cada terreno. A Quinta dos Penedinhos presta consultoria para essa adaptação, com análise do terreno e definição dos pontos de solta.
Fontes e Revisão Editorial
Este artigo foi elaborado com base em entrevista direta a Carlos Magro, responsável pela Quinta dos Penedinhos. O Mosaico Estratégico dos 5 A’s é um modelo próprio da empresa, desenvolvido com base na experiência acumulada em repovoamentos de coelho bravo e perdiz vermelha desde 2010.
