A importância cultural e económica da caça à perdiz
A caça à perdiz é mais do que um desporto. Para as comunidades locais e suas gastronomias, pode ser efectivamente um pilar económico, a perdiz de caça sendo uma iguaria apreciada durante a época de caça que se inicia a partir de Agosto, mas se acentua a partir de Outubro. O Outono é de facto a época por excelência dos pratos de caça, com javali, coelho bravo ou perdiz.
A importância da perdiz vermelha é facilmente expressa pelo seu lugar central nas inúmeras feiras que se celebram um pouco por todas as regiões do país durante os meses finais de cada ano. Foi o caso da VII Feira da Perdiz, realizada nos passados dias 08 e 09 de Novembro, em Martim Longo, concelho de Alcoutim.
As actividades de caça, incluindo a Taça de Portugal de Caça Prática, são apenas uma parte deste certame que ainda reúne inúmeras empresas do sector, demonstrações com cães de caça, falcoaria, artesanato e gastronomia. Em 2014, como em anos anteriores, a localidade viu-se invadida por vários milhares de amantes da caça à perdiz e coelho bravo, mas será a ave o grande ex-libris da região, encontrando por isso o caminho para alguns dos pratos mais interessantes dos restaurantes locais.
Mais a norte, no Marvão, a gastronomia também encontra na caça à perdiz um dos seus pilares, e o festival gastronómico que decorreu até ao início de Janeiro contou com iguarias tão interessantes quanto a canja de perdiz e a empada de perdiz com salada de agrião e gomos de laranja.
A caça à perdiz é claramente, e por estes motivos, uma actividade central na vida outonal de muitas comunidades nacionais, sendo essencial a união de esforços que permitam manter a caça viva em benefício das localidades que dela vivem. Em seu redor existem significados e heranças culturais que urge não perder, ainda que a repovoação de perdizes seja actualmente necessária em diversos pontos. Nestas circunstâncias, as empresas de criação de perdizes assumem uma importância crescente na manutenção dos recursos cinegéticos nacionais.
A necessária sustentabilidade da actividade cinegética
A caça à perdiz, que se dá a partir de Outubro em Portugal, é pela Europa fora uma das actividades mais procuradas e desejadas em termos de caça. Com a perdiz vermelha no seu centro, não é por isso de admirar que esta ave difícil de detectar e apetecível tenha sido introduzida em diversos países ao longo dos últimos séculos.
Mudanças económicas e de habitat podem no entanto mudar a disponibilidade de diversas aves. Estima-se que ao longo dos últimos trinta anos a Europa tenha perdido cerca de 421 milhões de aves, com destaque para pardais, estorninhos ou perdizes cinzentas, segundo os mais recentes dados da Ecology Letters. Só nestas espécies, o declínio dos números pode ter atingido os 90%.
Os investigadores realçam que a gravidade do declínio de populações não é apenas para o plano ecológico, já que algumas das espécies mais afectadas são aquelas que maior importância têm para a actividade humana, por alimentação, mas talvez fundamentalmente pelo seu papel nas restantes actividades económicas, como a agricultura.
Se a perda de habitat por pressão agrícola é dos principais motivos para o declínio populacional de espécies cinegéticas, as batidas de caça desreguladas e excessivas não podem ser ilibadas.
A capacidade para mantermos populações suficientes para uma caça à perdiz sustentada está por isso intimamente dependente da consciencialização por parte da comunidade de caçadores nacionais da sua importância vital para a preservação dos ecossistemas e consequente necessidade de uma prática de caça responsável.
É aqui que entram as empresas de criação de aves, com a sua capacidade de manutenção dos números nas populações de espécies cinegéticas, desempenhando então um papel na dotação das populações dos meios que permitam a sua correcta actividade de caça.
