Acção de Repovoamento de Zona de Caça com Perdizes Vermelhas

Um Caso Emblemático

1. Caracterização da Zona de Caça repovoamento de perdizes vermelhas 1A zona de caça objecto deste artigo situa-se na zona litoral do país, entalada entre o mar a poente e a serra a nascente. A confrontação com o mar faz-se através de arribas íngremes e rochosas. Do outro lado, a serra, integra um Parque Natural, caracterizando-se por uma zona de mato virgem, muito denso, e muitas árvores frondosas e de grande porte fazendo demasiada sombra. A reserva em questão caracteriza-se, assim, por ser uma zona de planalto, relativamente plana, muito soalheira, cheia de mato rasteiro, pouco arborizada e com terrenos enxutos. Tratando-se de uma zona litoral, a construção de casas está muito limitada e as que existem, sejam casas isoladas, lugares, vilas ou aldeias, situam-se do lado da serra. A agricultura nesta região é praticamente inexistente. 2. Preparação da Zona de Caça Antes da largada das perdizes no terreno, foi feito um planeamento cuidadoso de um conjunto de acções com vista a assegurar às futuras aves: a) as melhores condições de abrigo; b) a disponibilidade de água e de alimento; c) a mínima perturbação. Relativamente ao abrigo, foi decidido tirar o melhor partido do mato existente. repovoamento de perdizes vermelhas 2Contudo, impunha-se reduzir bastante a densidade do referido mato. Para o efeito, foram realizadas em primeiro lugar desmatagens seguidas de sementeiras diversificadas de cereais. Os terrenos objecto das referidas acções de desmatagem seguida de sementeira estão dispostos em forma de mosaico, nas orlas dos quais subsiste o mato original. Além das referidas acções levadas a cabo para receber as perdizes, outras acções da mesma natureza estão planeadas, nomeadamente, desmatagem através de queimadas controladas nas encostas e outras sementeiras de cereais. repovoamento de perdizes vermelhas 3Entretanto, enquanto as sementeiras não dão frutos, é disponibilizado alimento composto por diversos cereais em comedouros estrategicamente situados e próximos dos bebedouros. No que respeita ao nível de perturbação das perdizes, refira-se a prevalência de predadores aéreos, nomeadamente as águias; situação difícil de controlar por se tratar de uma reserva colada a um Parque Natural com condições excepcionais para o desenvolvimento da referida espécie. De resto, como já se viu, por se tratar de uma zona sem agricultura e onde a construção de casas está muito limitada, a perturbação das perdizes pelo Homem é muito reduzida. 3. Factores Críticos de Sucesso (FCS) 3.1. Matéria-Prima: As nossas perdizes. repovoamento de perdizes vermelhas 4A presente acção de repovoamento, i.e. a largada das perdizes no terreno, foi realizada no passado dia 16 de Dezembro de 2013 ao final da tarde. As perdizes foram fornecidas pela Quinta dos Penedinhos com uma idade média de 40 semanas. As perdizes da Quinta dos Penedinhos revelaram desde o início da presente acção de repovoamento uma excelente capacidade de adaptação às condições ambientais da zona de caça intervencionada. Além disso, assistiu-se ainda a uma boa integração destas perdizes com as perdizes silvestres existentes na reserva, formando bandos mistos. 3.2. Nível de Integração de Abrigo, Água, Alimentação e Ausência de Perturbação. repovoamento de perdizes vermelhas 5Tratando-se de uma zona com uma densidade muito grande de mato rasteiro, a direcção da zona de caça optou, a nosso ver muito bem, pelo aproveitamento do mesmo para proporcionar o abrigo indispensável às perdizes recém-introduzidas. De seguida, e por forma a prover o alimento necessário, a direcção desta reserva já fez diversas sementeiras de cereais, tendo inclusivamente planeadas outras sementeiras para os próximos meses. Relativamente a este aspecto, devemos sublinhar a forma como foram dispostas as sementeiras já realizadas: em forma de mosaico. Outra decisão, que merece o nosso elogio, foi a selecção dos locais para a introdução dos comedouros e dos bebedouros. Com efeito, os comedouros, bem como os bebedouros, foram colocados na orla das sementeiras, próximos das sebes que hão-de servir de abrigo às perdizes, e protegidos do sol. A este respeito devemos sublinhar a importância da proximidade dos bebedouros das zonas semeadas para evitar a desidratação dos perdigotos nos meses de Verão. Outro aspecto não menos importante é a protecção dos bebedouros por forma a evitar a morte por afogamento dos perdigotos nos primeiros dias de vida. Relativamente ao actual nível de perturbação das perdizes, caracterizado fundamentalmente pela existência de muitas águias oriundas do Parque Natural contíguo à zona de caça, a concretização do plano de sementeiras conduzirá, no curto prazo, a uma interacção mínima com o Homem de todo desejável. 4. Considerações Finais repovoamento de perdizes 6Em face do exposto, devemos chamar a atenção dos leitores para a forma estratégica como foram dispostos no terreno a Alimentação (zonas semeadas) e o Abrigo (mato rasteiro), i.e. em forma de mosaico: sementeiras separadas por orlas de mato. Devemos enaltecer também o facto de como a direcção da referida zona de caça conseguiu obter, desde já, um bom nível de integração dos principais factores críticos de sucesso de uma acção de repovoamento: Abrigo, Água, Alimentação e Ausência de Perturbação. Após a finalização, a curto prazo, do plano de desmatagem e das sementeiras, é de prever a obtenção de um superior nível de integração dos referidos FCS. Tudo isto é muito importante e necessário para o sucesso de qualquer acção de repovoamento com Perdiz Vermelha. Mas não é suficiente, pois se a qualidade das perdizes – traduzida na maior ou menor capacidade de sobrevivência em condições ambientais naturais – que se colocam no terreno não fôr boa, o repovoamento poderá ser um fracasso. As perdizes da Quinta dos Penedinhos têm-se revelado de superior qualidade nas acções de repovoamento em que têm participado, porque: a) Evidenciam uma pureza e bravura genética notável desde os primeiros dias; b) Estão habituadas, desde muito cedo, ao consumo de diversos cereais; c) Estão habituadas, desde as primeiras semanas, a um tipo de comedouro muito económico e fácil de instalar em qualquer zona de caça: garrafão de plástico invertido. d) Permanecem, a partir das 12 semanas, nos parques de voo, habituando-se a enfrentar todas as condições meteorológicas por mais adversas que sejam. Estes procedimentos garantem uma excelente adaptação das nossas perdizes às condições naturais de qualquer zona de caça. Foi o que aconteceu em mais este caso. A terminar, queremos manifestar os nossos agradecimentos à Direcção do Clube de Caçadores da Freguesia de Colares pela confiança depositada na Quinta do Penedinhos e pela disponibilização de fotos e de informações sobre a acção de repovoamento levada a cabo. Quinta dos Penedinhos, 27 de Janeiro de 2014 A Direcção.